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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Geral: Alimentação e aprendizagem: o que vai ao prato pode impactar a rotina escolar?



 Radiografia da Notícia

* No Dia do Nutricionista, especialista explica a importância da relação com os alimentos para crianças e adolescentes

Redação/Hourpress

A alimentação de crianças e adolescentes costuma ser associada principalmente ao crescimento e à saúde, mas seus efeitos também chegam à rotina escolar. A qualidade e a regularidade das refeições podem influenciar a disposição e a capacidade de manter a atenção ao longo de um dia de aulas. No Dia do Nutricionista, celebrado em 31 de agosto, o tema chama atenção para uma questão que vai além do cardápio: a construção de uma relação mais consciente com os alimentos desde a infância.
 

Em fases marcadas por intensas transformações físicas e cognitivas, estabelecer uma relação equilibrada com a comida ganha ainda mais importância, inclusive para que os estudantes desenvolvam autonomia em suas escolhas.
 

“Esse cuidado também pode se refletir no desempenho acadêmico. Passar longos períodos sem se alimentar ou manter uma rotina pouco equilibrada pode afetar a forma como o estudante acompanha as atividades ao longo do dia”, explica Renata Mendes, nutricionista do Colégio Poliedro.
 

A composição das refeições também faz diferença. “Alimentos ricos em vitaminas, minerais, proteínas e carboidratos de boa qualidade contribuem para o desenvolvimento cognitivo e para a manutenção da atenção durante as aulas. Por outro lado, o excesso de ultraprocessados e o baixo consumo de frutas, verduras e legumes podem provocar cansaço, dificultar a concentração e prejudicar o aprendizado”, comenta a especialista.
 

Além disso, o cuidado começa já na primeira refeição do dia. “O café da manhã ajuda a fornecer energia após o período de jejum e favorece o raciocínio e a disposição para as tarefas. O ideal é que reúna carboidratos, proteínas, fibras, vitaminas e minerais, encontrados em opções como leite, iogurte, queijo, ovos, pães e frutas”, orienta Mendes. Além disso, a nutricionista também destaca a importância da hidratação para o funcionamento adequado do organismo.
 

Alimentação também se aprende
 

O aprendizado pode acontecer na prática. Conhecer ingredientes, participar do preparo e experimentar novos sabores são formas de ampliar o repertório e tornar os estudantes mais conscientes sobre aquilo que consomem. No Colégio Poliedro, uma das iniciativas desenvolvidas para fomentar isso é a Cozinha Experimental, que envolve os alunos na preparação de receitas. Nesse sentido, a experiência busca despertar a curiosidade e incentivar uma relação mais próxima com o que chega ao prato.
 

“Criar essa proximidade desde a infância é importante para que as escolhas deixem de acontecer apenas pela preferência. Aos poucos, a criança passa a entender melhor o que faz parte das refeições e ganha mais autonomia para tomar decisões no dia a dia”, afirma Mendes.
 

Nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, os lanches oferecidos pelo Colégio Poliedro incluem frutas e uma fonte de proteína. Uma vez por mês, as crianças também participam da degustação de novas preparações, com receitas como brownie de feijão, bolo de espinafre e sucos de abóbora com maçã e de beterraba com cenoura.
 

A atuação do nutricionista no ambiente escolar também vai além da elaboração de cardápios, podendo incluir ações educativas e orientações à comunidade escolar.

Geral: Como o racismo científico e a medicina moldaram o conceito de "homem ideal" na Bahia pós-abolição

     Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

* Tese analisa como o discurso médico entre 1880 e 1930 ajudou a definir modelos de homem, saúde, comportamento e raça na Bahia

 Redação/Hourpress

Daniel de Castro Barral apresentou na última terça-feira (25/08) no auditório da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) sua tese de doutorado em Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Intitulada “Sob o olhar de Asclépio: discurso médico e masculinidades em Salvador da Bahia (1880–1930)”, a pesquisa investiga como a medicina participou da construção de determinadas ideias sobre homens e masculinidades na Salvador da passagem do século XIX para o século XX.

 

A partir da análise de teses de doutoramento médico produzidas no período e de artigos publicados na Gazeta Médica da Bahia, Daniel investiga como o discurso médico classificava corpos, comportamentos e modos de vida, estabelecendo parâmetros para aquilo que poderia ser considerado um homem saudável, moralizado e socialmente adequado.

 

A pesquisa parte de uma questão central: como a medicina contribuiu para produzir e legitimar determinados modelos de masculinidade?

 

O estudo demonstra que a medicina daquele período não se limitava ao tratamento de doenças. Ela também se apresentava como um campo capaz de estabelecer normas sobre os corpos e os comportamentos, participando da construção de um ideal de homem associado à juventude, saúde, racionalidade, autocontrole, produtividade e capacidade de contribuir para o projeto de formação da nação.


Nesse contexto, o controle de si aparece como um dos principais parâmetros de legitimidade da chamada masculinidade civilizada. O homem ideal deveria ser capaz de controlar seus desejos, seu corpo e seus comportamentos, tornando-se previsível, disciplinado, racional e produtivo.

Ao mesmo tempo, aqueles que não correspondiam a esses padrões poderiam ser classificados como desviantes ou degenerados.

 

Masculinidade, raça e o projeto de nação

 

Um dos aspectos de maior relevância da pesquisa é a relação entre masculinidade e raça.

A partir da chamada lógica da degeneração, o discurso médico analisado por Daniel produzia hierarquias entre corpos e comportamentos. Características associadas ao feminino ou à população negra poderiam ser interpretadas como sinais de degeneração, infantilidade, atavismo ou inferioridade.

A escolha de Salvador da Bahia como campo histórico da pesquisa confere particular relevância ao estudo. Em uma cidade marcada pela presença majoritária da população negra e por uma importante tradição médico científica, os debates sobre raça assumiram papel significativo nos projetos de construção da sociedade brasileira.

 

A tese demonstra como autores médicos baianos participaram dessas discussões e como o pensamento médico se articulou a projetos mais amplos de eugenização, civilização e formação da nação brasileira.

Mais do que reconstruir o que os médicos diziam sobre os homens, Daniel procura compreender como esses discursos ajudaram a produzir determinadas formas de masculinidade, definindo fronteiras entre comportamentos considerados legítimos e aqueles classificados como anormais.

 

Uma trajetória dedicada aos estudos das masculinidades

 

O doutorado representa a continuidade de uma trajetória acadêmica dedicada ao estudo das masculinidades.


Daniel é graduado em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), possui mestrado pela Universidade de Brasília (UnB), com pesquisa dedicada às masculinidades, e conclui agora o doutorado em Saúde Coletiva pela UERJ.


Em sua dissertação de mestrado, Daniel investigou a presença e também a invisibilidade dos estudos sobre masculinidades na produção da Psicologia brasileira. O trabalho ampliou sua trajetória de pesquisa sobre gênero e abriu caminho para uma investigação histórica sobre a construção social dos modelos masculinos.


Sua pesquisa de doutorado amplia essa perspectiva ao deslocar o olhar para o final do século XIX e início do século XX, utilizando documentos médicos históricos para investigar a formação de padrões de masculinidade em Salvador.

 

Da Psicologia ao sistema de ressocialização

 

Além da trajetória acadêmica, Daniel possui experiência profissional na Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP), onde atuou na área de Psicologia e participou de iniciativas relacionadas à modernização do atendimento psicossocial.


A experiência no sistema de justiça e ressocialização acrescentou à sua formação uma dimensão prática relacionada às questões de comportamento, subjetividade, violência, relações sociais e políticas públicas.


Essa trajetória contribuiu para aproximar diferentes campos de investigação, entre eles Psicologia, Psicanálise, saúde coletiva, gênero, masculinidades, raça e políticas de ressocialização.


A atualidade de uma pesquisa histórica

 

Embora tenha como objeto documentos produzidos há mais de um século, a pesquisa de Daniel dialoga diretamente com debates contemporâneos sobre masculinidades.

Ao investigar como determinados comportamentos foram historicamente transformados em referências de normalidade masculina, a tese permite compreender que aquilo que muitas vezes parece ser uma característica natural do que significa “ser homem” também é resultado de processos históricos, sociais e culturais.


A pesquisa questiona, portanto, quem define o que é um homem saudável, normal, civilizado ou adequado, e quais são as consequências para aqueles que não correspondem a esses modelos.


O trabalho também contribui para deslocar o debate sobre masculinidades para além das discussões contemporâneas, demonstrando que a produção de modelos masculinos esteve historicamente relacionada a instituições como a medicina e a projetos políticos de sociedade.

 

Produção científica

 

A pesquisa desenvolvida por Daniel já vem resultando em produção acadêmica. Em 2025, publicou na revista Physis: Revista de Saúde Coletiva o artigo “O sexo e a cor do cuidado: uma análise a contrapelo da caça aos charlatões em Salvador (1880–1920)”, aprofundando questões relacionadas ao pensamento médico, raça, sexo e práticas de cuidado na Bahia.

 

Com a defesa de “Sob o olhar de Asclépio: discurso médico e masculinidades em Salvador da Bahia (1880–1930)”, Daniel de Castro Barral consolida uma trajetória que começou na Psicologia e se expandiu para a saúde coletiva e para as ciências sociais, tendo como eixo a investigação das formas pelas quais sociedades produzem, regulam e transformam as masculinidades.

 

A defesa da tese acontece em 25 de agosto de 2026, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Túnel do Tempo: Saúde tira Costa e Silva do Regime Militar

 

Redação/Hourpress

Em 31 de agosto de 1969 ocorria o afastamento do presidente Costa e Silva da presidência do Brasil por motivo de doença.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Crônica: a dor da separação

Os dois estavam no último ano de curso

Astrogildo Magno

Quando Flávio conheceu Marina foi explosão de amor à primeira vista. Ambos estudavam engenharia na USP (Universidade de São Paulo). A troca de olhar no restaurante dos alunos teve intenso efeito amoroso. Os dois estavam no último ano de curso. Uniram a formatura com o casamento na fazenda do tio de um colega de turma na cidade paulista de Itapira.

Nos primeiros 15 anos tudo fluiu em mar de rosas. Porém, as inúmeras viagens de Flávio para acompanhar obras em diversas regiões do Brasil contribuíram para começar a se apagar a chama do amor que um dia os uniu. Lutaram, mas não conseguiram impedir a bomba atômica da separação. Fizeram inúmeros cursos de casais, assistiram palestras de especialistas em ressuscitar matrimônios. Tudo sem resultado.

Viagem

Num mês de abril de 2007, Flávio e Marina se encontraram diante da juíza que iria sacramentar o divórcio. Na cabeça de ambos, vieram as imagens da época em que eram felizes, quando prometeram ficar juntos até o dia da viagem final. Mas o destino não havia combinado nada com eles.

 Olhou pela última vez para o rosto da mulher que amou intensamente e tentou conter a  lágrima saltando dos olhos. Marina repetiu o mesmo jeito. Ali, diante da juíza, perceberam que chegava ao fim a parceria que um dia foi companheira inseparável deles. Lembraram do versículo bíblico de Provérbios 16/9: “o homem faz planos, mas quem dirige a sua vida é Deus”.....

Astrogildo Magno é cronista

Geral: Hambúrguer com colágeno supera aceitação sensorial

    Divulgação


Radiografia da Notícia

*Cerca de 93% dos participantes afirmaram que consumiriam um hambúrguer com colágeno

Redação/Hourpress

A aplicação de colágeno funcional em hambúrgueres agrega uma nova característica ao produto. É o que aponta uma análise realizada com 110 consumidores, na qual uma formulação com o ingrediente alcançou nota média de 7,73 em aceitação global, em uma escala de nove pontos. O hambúrguer tradicional obteve nota 7,50.
 

A avaliação foi conduzida por estudantes da disciplina de Análise Sensorial da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), com amostras fornecidas pela Novapron+, empresa de ingredientes funcionais da JBS.
 

Os participantes avaliaram aparência, aroma, sabor, textura, suculência e aceitação geral, o que demonstrou uma ótima aceitação na opção adicionada com colágeno. A textura foi o atributo que apresentou diferença significativa: 7,32, ante 6,94 no hambúrguer tradicional.


Tradicional
 

O hambúrguer com colágeno também apresentou resultado positivo na intenção declarada de compra. Entre os participantes, 81% afirmaram que certamente ou possivelmente comprariam o produto. Para a formulação tradicional, o índice foi de 63,6%, uma diferença descritiva de 17,4 pontos percentuais.
 

“Os resultados indicam o quanto o colágeno agrega valor às formulações, preservando atributos fundamentais e melhorando a experiência do consumidor, como sabor, textura, aroma e suculência. Isso abre possibilidades para o desenvolvimento de produtos que combinem desempenho tecnológico, aporte proteico e valor percebido”, afirma Walter Lene, diretor executivo da Novapron+.
 

A receptividade ao ingrediente também foi elevada. Ao serem perguntados diretamente sobre o produto, 93% dos participantes afirmaram que consumiriam um hambúrguer com colágeno. Para 74%, a inclusão do ingrediente despertou uma percepção positiva; 25% se disseram indiferentes e apenas 1% apresentou percepção negativa.
 

Metodologia

A análise sensorial reuniu 110 consumidores não treinados, majoritariamente entre 18 e 24 anos. As formulações foram servidas de forma codificada e avaliadas por meio de escala hedônica de nove pontos.

O estudo comparou um hambúrguer tradicional e outro elaborado com colágeno funcional fornecido pela Novapron+. Também foram aplicados testes de intenção de compra e de diferenciação sensorial. Os resultados refletem as condições e o perfil específico da amostra analisada e não constituem, isoladamente, projeção de comportamento para toda a população.

Geral: Saiba a importância da Discagem Direta à Distância (DDD)


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    IA

Radiografia da Notícia

*Oficialmente inaugurado em 1969, o sistema foi estruturado pelo Ministério das Comunicações em parceria com a iniciativa privada

Redação/Hourpress

Hoje, é comum ligar para um número e ter a chamada automaticamente efetuada do outro lado da linha, mas houve um tempo em que as ligações precisavam ser intermediadas por um telefonista. Em 1969, por iniciativa do Ministério das Comunicações, em parceria com a iniciativa privada, foi oficialmente estruturado e implantado no Brasil o sistema de Discagem Direta à Distância (DDD).
 

O código nacional foi criado com o objetivo de automatizar ligações interurbanas, ou seja, chamadas entre cidades diferentes. Antes do sistema, o usuário precisava da ajuda de um profissional de telecomunicações para efetuar a ligação. Com o DDD, esse processo se tornou mais rápido e seguro, sem a necessidade de um telefonista.
 

A sistematização das chamadas aconteceu para suprir o crescimento populacional do país, acelerado durante a década de 1970, e organizar geograficamente as redes telefônicas por regiões e áreas específicas, de forma a atender à demanda decorrente da expansão das telecomunicações e do aumento do número de telefones.
 

Em todo o Brasil, existem 67 códigos DDD em uso, divididos entre todos os estados e o Distrito Federal e regulamentados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O sistema não se limita aos estados, mas também contempla diferentes regiões de cada unidade da Federação. São Paulo, por exemplo, possui nove códigos diferentes, distribuídos entre suas regiões e cidades.
 

Evolução histórica 
 

O primeiro teste do DDD ocorreu entre São Paulo e Santos, em 1958. A Companhia Telefônica Brasileira (CTB) inaugurou a tecnologia de forma pioneira para ligações automáticas.
 

Durante a década de 1970, após a inauguração do sistema, o DDD começou a ser expandido comercialmente para as principais capitais e regiões metropolitanas do Brasil, com as operadoras de telefonia cada vez mais aderindo à novidade.
 

Nos anos 1980, os códigos avançaram gradualmente para as cidades do interior dos estados, passando por desafios relacionados à infraestrutura e à integração entre concessionárias estaduais. A conclusão da cobertura nacional, atingindo a universalização do sistema em todo o país, ocorreu na década seguinte, eliminando a necessidade de intermediar ligações por meio de telefonistas.
 

Confira todos os DDDs divididos por região em cada estado

 

Região Sudeste
 

São Paulo (SP): 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19

Rio de Janeiro (RJ): 21, 22, 24

Espírito Santo (ES): 27, 28

Minas Gerais (MG): 31, 32, 33, 34, 35, 37, 38
 

Região Sul
 

Paraná (PR): 41, 42, 43, 44, 45, 46

Santa Catarina (SC): 47, 48, 49

Rio Grande do Sul (RS): 51, 53, 54, 55
 

Região Centro-Oeste 
 

Distrito Federal (DF) e Goiás (GO): 61 (também atende parte de GO)

Goiás (GO): 62, 64

Mato Grosso (MT): 65, 66

Mato Grosso do Sul (MS): 67
 

Região Norte 
 

Acre (AC): 68

Rondônia (RO): 69

Tocantins (TO): 63

Pará (PA): 91, 93, 94

Amazonas (AM): 92, 97

Roraima (RR): 95

Amapá (AP): 96
 

Região Nordeste 
 

Bahia (BA): 71, 73, 74, 75, 77

Sergipe (SE): 79

Pernambuco (PE): 81, 87

Alagoas (AL): 82

Paraíba (PB): 83

Rio Grande do Norte (RN): 84

Ceará (CE): 85, 88

Piauí (PI): 86, 89

Maranhão (MA): 98, 99

Geral: Pesquisa aponta que 87% das brasileiras reconhecem risco de o câncer de mama voltar,

             Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

*Levantamento mostra lacuna de informação sobre a jornada do câncer de mama e reforça a importância de ampliar o cuidado contínuo após a cirurgia


Redação/Hourpress

 

O câncer de mama faz parte do repertório das brasileiras, mas isso não significa que todas as etapas da jornada de cuidado sejam igualmente compreendidas. Um levantamento realizado pela Ipsos a pedido da Novartis Brasil mostra que 87% das mulheres acreditam que existe a possibilidade de o câncer de mama voltar após o tratamento, enquanto apenas 39% afirmam já ter ouvido falar em “recidiva”, termo utilizado para descrever a volta da doença.

 

O levantamento também revela que o termo recidiva é menos conhecido do que outras expressões associadas ao câncer de mama, já que 87% das entrevistadas já ouviram falar em quimioterapia, 84% em biópsia, 77% em tumor maligno e 73% em metástase. O contraste sugere que, embora a população reconheça o risco de a doença voltar, ainda há espaço para ampliar a compreensão sobre o que acontece depois do tratamento inicial e por que o acompanhamento ao longo do tempo é parte importante da jornada de cuidado.

 

Diante deste cenário, ampliar o acesso a informações claras, responsáveis e baseadas em evidências pode contribuir para que pacientes, familiares e sociedade compreendam melhor a importância do acompanhamento contínuo, das conversas com a equipe médica e do cuidado individualizado ao longo do tempo.


Casos

 

Mesmo diante dessa lacuna, quando o tema é explicado, há forte reconhecimento da importância do cuidado após as etapas iniciais do tratamento. Segundo o levantamento, 90% das entrevistadas concordam que, mesmo após a retirada do tumor em estágio inicial, pode ser recomendado tratamento adicional para ajudar a prevenir que a doença volte. Além disso, 64% concordam que, em alguns casos, o tratamento complementar após a cirurgia pode continuar por até 10 anos.

 

“A pesquisa mostra que a população reconhece que existe o risco de a doença voltar, mas nem sempre tem acesso a informações simples e claras sobre o que é recidiva e por que o acompanhamento ao longo do tempo pode ser necessário — assim como sobre a importância da adesão ao tratamento adjuvante, quando indicado, como estratégia para reduzir o risco de recidiva. Evidências mostram que, na prática clínica, apenas cerca de 50% das mulheres conseguem completar os cinco anos recomendados de terapia endócrina adjuvante1, o que evidencia uma lacuna importante no cuidado.” afirma Dra. Maira Caleffi, chefe do serviço de mastologia do Hospital Moinhos de Vento e fundadora da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (FEMAMA).

 

A percepção sobre o cuidado após a cirurgia também é expressiva: 63% das entrevistadas apontam que o acompanhamento e o tratamento ao longo do tempo são importantes para reduzir o risco de retorno da doença. O resultado mostra que, mesmo sem familiaridade com termos técnicos, muitas mulheres reconhecem a importância de estratégias voltadas à redução desse risco.

 

“Esse cenário reforça a importância de ampliar estratégias como a navegação de pacientes, oferecendo o suporte necessário para que as mulheres sejam bem orientadas e tenham condições, inclusive emocionais, de completar sua jornada de tratamento. Ao mesmo tempo, ampliar o acesso às opções terapêuticas disponíveis no SUS é essencial para permitir a personalização do cuidado, considerando a diversidade de perfis e rotinas das mulheres com câncer de mama, que são cada vez mais jovens” completou Dra. Maira Caleffi.,