Postagem em destaque

Crônica: Reviver passado é algo bom?

    De tanto bater nessa tecla, viajou para Tutoia Astrogildo Magno Carlito era o típico saudosista. Esquecia do presente e voltava semp...

domingo, 12 de julho de 2026

Crônica: Reviver passado é algo bom?

 


 De tanto bater nessa tecla, viajou para Tutoia

Astrogildo Magno

Carlito era o típico saudosista. Esquecia do presente e voltava sempre ao passado. Repetia escalação de times que entraram para a galeria das equipes inesquecíveis. Criticava os atletas atuais. Para ele, todos eram mercenários. A preocupação deles consistia apenas em aparecer nas redes sociais, com fotos de selfie. O talento, na opinião de Carlitos, ficava em segundo plano.

Quando o assunto escorregava para música, ele criticava a nova safra de artistas, sem voz e gravando canções de letras horríveis. Para Carlitos, os sucessos atuais são fabricados nas redes sociais para servir de isca aos inocentes de plantão. Na sua avaliação, as cantoras de hoje utilizam o corpo para subir a escada do sucesso.

Nada do que acontece nos dias de hoje, alegra Carlitos. Igual âncora de navio, o passado é quem o mantém neste clima. Executivo do mercado de ações, sempre planejava retornar à cidade de Tutoia, no Maranhão, onde pretendia rever amigos e o seu grande amor de infância: Lúcia Lima. Loira de olhos azuis e corpo escultural. De tanto bater nessa tecla, viajou para Tutoia. Ali, descobriu que a maioria dos amigos de infância já tinham morrido, inclusive Lúcia, cuja lápide do túmulo dizia: “fui para o futuro, porque o passado ficou para trás...”

Astrogildo Magno é cronista

Geral: Composto inédito com prata, quimioterápico e carvona mira câncer de pele profundo

    Divulgação


Radiografia da Notícia

Nova formulação patenteada na Unicamp combina complexo de prata com medicamento oncológico e óleo essencial para atingir tumores em camadas mais profundas

Redação/Hourpress

Pesquisadores do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer (CancerThera), sediado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), depositaram o pedido de uma nova patente que mostrou potencial aplicação no tratamento do câncer de pele, ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento. A formulação associa um complexo de prata (Ag) ao quimioterápico 5-fluorouracil (5-FU) e à carvona, monoterpeno presente em óleos essenciais como hortelã e endro. Nos testes laboratoriais, a combinação com a carvona permitiu uma liberação duas vezes maior do princípio ativo, em relação ao composto sem o monoterpeno em um período de 48 horas, apontando para uma formulação capaz de atingir tumores em fases mais avançadas.


A tecnologia consiste em um sistema de liberação com potencial aplicação direta sobre lesões tumorais. Os ativos poderão ser incorporados em um gel, creme ou adesivo transdérmico, conforme a abordagem definida pela empresa interessada em levar a tecnologia ao mercado. A tecnologia está em fase pré-clínica. Testes em animais são o próximo passo antes de qualquer aplicação em seres humanos. O pedido de patente foi depositado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com estratégia da Agência de Inovação Inova Unicamp para proteção da propriedade intelectual. A equipe busca parceiros industriais para avançar nas etapas seguintes de pesquisa e viabilizar o uso comercial da tecnologia.


O problema que motivou a pesquisa


A inquietação que deu origem à pesquisa veio das bancas de defesa da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp. A professora Carmen Silvia Passos Lima, oncologista do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp e coordenadora do Laboratório de Genética do Câncer (Lageca) da Faculdade de Ciências Médicas (FCM), era presença frequente nas bancas e via compostos promissores para o tratamento do câncer que não avançavam para o desenvolvimento comercial. "Eu não entendia por que isso não chegava ao mercado e aos pacientes. Foi quando decidimos integrar diferentes áreas", conta.


O câncer de pele basocelular e espinocelular é o tipo mais incidente no Brasil. Apesar do baixo potencial de metástase, acomete áreas expostas ao sol, como rosto, nariz, orelhas e lábios. Um dos tratamentos disponíveis utiliza o 5-fluorouracil puro, mas ele tem limitações. "Esse medicamento exige que o paciente evite o sol e, por penetrar pouco na pele, é indicado apenas para tumores superficiais, o que é um problema no SUS, onde os casos frequentemente chegam em estágio avançado. Uma outra alternativa é o medicamento à base de cemiplimabe, mas esse imunobiológico tem alto custo, cerca de 50 mil reais por mês, e não é coberto pelo sistema público de saúde", afirmou a oncologista.


Os tumores avançados exigem ressecção cirúrgica, extração parcial ou completa do tecido atingido, que pode resultar em deformidades permanentes. "Muitas vezes, o paciente perde partes do nariz, das orelhas, ou fica com cicatrizes profundas na boca ou em outras partes do corpo, o que provoca uma pressão social muito grande", destaca o professor Pedro Paulo Corbi, coordenador do Laboratório de Pesquisas em Química Bioinorgânica e Medicinal (LQBM) da Unicamp, vinculado ao Instituto de Química (IQ). Ao penetrar camadas mais profundas da pele do que o 5-fluorouracil convencional, o novo composto abre a possibilidade de tratar tumores avançados e reduzir a necessidade de cirurgias.


O papel do monoterpeno e os resultados preliminares


A carvona é a peça que diferencia essa formulação das alternativas existentes. A escolha veio do conhecimento acumulado no Laboratório de Fitoquímica, Farmacologia e Toxicologia Experimental (LaFTEx) da Faculdade de Ciências Farmacêuticas. "A ideia surgiu da nossa expertise em produtos naturais e farmacologia e toxicologia experimental. Os monoterpenos têm uma característica especial: além das propriedades farmacológicas, vários deles são facilitadores de permeação, não se ligam quimicamente ao complexo, mas facilitam a entrada dele dentro da célula", explicou a professora Ana Lucia Tasca Góis Ruiz, pesquisadora do LaFTEx.


Foi durante o mestrado de Daniele Daiane Affonso, no mesmo laboratório, que a carvona foi identificada como candidata promissora, após a estudante observar que a substância inibe a migração de queratinócitos, processo biológico relevante no desenvolvimento do câncer. "Quando juntei os dois compostos, vi que o Ag5FU com a carvona gerou um efeito sinérgico. A carvona potencializou a ação antitumoral do complexo metálico", relata Affonso. A diferença ficou evidente nos testes de liberação em membrana sintética: com o Ag5FU isolado, foram liberados 164 microgramas de prata por litro de solução; com a adição da carvona, esse valor subiu para 359 microgramas. "A combinação não só não interferiu no efeito antiproliferativo, como aumentou o efeito do complexo", reforçou Góis Ruiz.


A prata foi selecionada por sua atividade antitumoral descrita na literatura. O 5-fluorouracil é um quimioterápico análogo a uma das bases do DNA, ou seja, se encaixa na cadeia genética da célula tumoral no lugar da base original. Quando isso acontece, altera a estrutura do DNA e desencadeia a morte celular, mecanismo que o consagrou como tratamento clínico para diferentes tipos de câncer.


A precisão na escolha dos componentes é fundamental, como explica Corbi. "Na química, nós temos substâncias que se combinam e outras que não se combinam. Esse conhecimento nos faz escolher a molécula certa para o metal certo, para que eles tenham afinidade entre eles. Compostos de prata tendem a se decompor rapidamente quando a combinação é inadequada: o metal se reduz, o produto escurece e se torna inutilizável".


A síntese foi realizada por Gabriele de Menezes Pereira, doutora pelo LQBM. "Partimos de um fármaco comercial que já tem potencial antiproliferativo. O que fizemos foi potencializá-lo com a complexação com um centro metálico", explicou.


Da pesquisa básica à clínica


O grupo do CancerThera já percorreu esse caminho com outro composto patenteado, um metalofármaco com potencial terapêutico para o carcinoma de células escamosas cutâneo. O AgNMS, combinação de prata com o anti-inflamatório nimesulida, percorreu todas as etapas que o Ag5FU+carvona começa a trilhar.


O composto foi testado em linhagens de células cancerígenas e de pele saudável, com comprovação de seletividade, e depois em camundongos acoplado a um dispositivo de membrana de celulose bacteriana com adesivo, desenvolvido em parceria com pesquisadores da Universidade de Araraquara (Uniara).


Os resultados com esse primeiro composto mostraram redução ou desaparecimento dos tumores sem toxicidade para os animais, rendendo duas patentes, uma nacional e uma internacional. Em 2026, o AgNMS entrou na fase clínica 1 no HC da Unicamp com os primeiros pacientes com carcinoma de células escamosas, em cooperação com o Serviço de Dermatologia do HC, e segue agora para a fase clínica 2.


Próximos passos: da bancada ao paciente


A nova patente parte da mesma plataforma (complexos de prata), mas com componentes e mecanismos distintos. O próximo passo para o Ag5FU+carvona é repetir os testes in vitro, agora em pele de porco, o que permitirá medir a permeação das substâncias em condições mais próximas do corpo humano, e em seguida avançar para os testes em animais. A síntese do complexo é feita em etapa única, com alto rendimento e boa pureza, o que facilita a reprodução em escala, disse Pereira.


Para os pesquisadores que conduziram os experimentos, a possibilidade de ver o trabalho chegar à sociedade é o principal motor da pesquisa. "Quantas pessoas próximas já tiveram câncer de pele, fizeram uma ressecção cirúrgica, ficaram com uma cicatriz no rosto. É gratificante saber que a gente pode formular um fármaco que diminua o tamanho desse tumor e possa até evitar cirurgias", comentou Affonso.


A proteção intelectual foi realizada antes do término dos estudos, por orientação da Inova Unicamp, que esclareceu os pesquisadores sobre a possibilidade de depositar o pedido de patente com os dados disponíveis, preservando a novidade da invenção. Para chegar ao mercado, a tecnologia precisará de parceiros industriais para escalonamento da produção, registros sanitários junto à Anvisa, desenvolvimento de um produto e sua comercialização.


"O desenvolvimento aconteceu no laboratório e tem que ir para o estudo clínico. Primeiro em células, depois em animais e depois em humanos, nas fases 1 e 2. Se realmente for eficaz, aí a gente vai ter que entrar com as agências regulatórias e precisamos de parceiros industriais para que isso possa ser disponibilizado no mercado no futuro”, finalizou Passos Lima.

Geral: Seara lidera em pizzas congeladas com foco em inovação, praticidade e expansão de portfólio

                            Divulgação


Radiografia da Notícia

* Marca atingiu 29,5% de market share em 2026 na categoria; avanço é impulsionado por estratégia que combina pizzas para air fryer, versões tradicionais e opções premium

Redação/Hourpress

Em uma das ocasiões mais saborosas do calendário nacional, o Dia da Pizza, celebrado em 10 de julho, a Seara tem motivos de sobra para comemorar. A marca consolidou sua posição de destaque no mercado brasileiro e chega a esta data na liderança da categoria de pizzas congeladas. O resultado é fruto de uma estratégia focada em inovação, qualidade e, acima de tudo, em entender e atender às novas demandas de praticidade do consumidor moderno.

O protagonismo da Seara no setor é chancelado por dados sólidos. Segundo informações da Nielsen, a marca atingiu 29,5% de share de mercado na categoria de pizzas congeladas no acumulado de 2026. O índice consolida o sucesso dos investimentos recentes em expansão e diferenciação de portfólio.

O caminho trilhado pela marca para alcançar o topo do mercado foi pavimentado por uma aposta no pioneirismo. Uma das principais alavancas desse crescimento foi a introdução das pizzas congeladas para a linha Seara Air Fryer, para preparo neste eletrodoméstico. Essa inovação em produto trouxe benefícios em duas frentes: para o consumidor, que ganhou uma alternativa de consumo extremamente rápida, crocante e prática; e para o varejista, uma vez que o produto é comercializado em embalagens menores do que as pizzas convencionais, o que otimiza significativamente o espaço, aumenta o giro e impulsiona o crescimento do mercado.

Rotina

"A liderança na categoria de pizzas congeladas é a validação de que estamos no caminho certo, unindo a tradição de qualidade da Seara com a filosofia inovadora de ditar tendências, como fizemos com a linha para air fryer. Esse resultado reflete nossa obsessão por entender a rotina do consumidor e buscar a melhor solução para o supermercadista. Vamos continuar movimentando o setor, e surpreender nossos clientes e consumidores”, afirmou Rafael Palmer, diretor de marketing da Seara.

O impacto dessa categoria no resultado geral é evidente: do share de 29,5% que a Seara detém no mercado de pizzas congeladas, 3,5% foram provenientes das inovações, demonstrando o seu papel crucial como motor de liderança. Além da própria linha Seara Air Fryer, que conta com sabores tradicionais variados, o crescimento também foi impulsionado pelas pizzas da edição especial para a série Stranger Things, lançadas no segundo semestre de 2025 em parceria realizada entre a Seara com a Netflix. O produto, que tinha como diferencial a massa preta - feita com adição de cacau na receita -, fez bastante sucesso com o consumidor, especialmente com os fãs do seriado.

Paralelamente a estas novidades, a Seara se mantém consolidada no segmento de pizzas congeladas tradicionais. A linha apresenta opções que fazem parte da memória afetiva e do cotidiano do consumidor brasileiro, como calabresa, mussarela, quatro queijos, portuguesa, entre outros. O diferencial desse portfólio está na massa pré-assada em forno de pedra, que garante o equilíbrio entre crocância e maciez.

Para os consumidores que valorizam uma experiência gastronômica superior sem sair de casa, a linha Seara Gourmet também desempenha um papel fundamental na sustentação da liderança da marca na categoria. A linha oferece pizzas também com sabores tradicionais, mas com um preparo diferenciado: massas com fermentação lenta por 24 horas, abertas manualmente e cobertas com molho de tomates italianos.

Geral: Você sabe interpretar a etiqueta das roupas?

    Divulgação


Radiografia da Notícia

Especialista em cuidados têxteis da 5àsec explica o significado dos principais ícones presentes nas etiquetas e orienta em quais situações a limpeza profissional é a melhor opção

Redação/Hourpress

Cada vez mais, os consumidores buscam formas de prolongar a vida útil das roupas, seja para economizar, para consumir de maneira mais consciente e contribuir para a moda circular. Nesse cenário, um recurso muitas vezes ignorado pode fazer toda a diferença: a etiqueta de conservação. Presente em todas as peças têxteis, ela reúne orientações importantes sobre limpeza, secagem, passadoria, alvejamento e limpeza profissional, ajudando a evitar danos como encolhimento, desbotamento, deformações e desgaste precoce.

 

Embora seja uma ferramenta essencial para a conservação das roupas, muitas pessoas desconhecem o significado dos símbolos ou acabam retirando a etiqueta por considerá-la desconfortável. O resultado pode ser uma higienização inadequada, comprometendo a aparência e até a durabilidade da peça. Segundo Marinês Cassiano, especialista em cuidados têxteis da 5àsec, as orientações presentes na etiqueta são definidas após testes realizados pelos fabricantes e indicam o método mais seguro para preservar as características originais do tecido.

 

"A etiqueta funciona como um verdadeiro manual de instruções da roupa. Seguir essas recomendações ajuda a preservar as cores, a modelagem, o caimento e a resistência do tecido. Muitas peças acabam sendo danificadas não pelo uso, mas por uma limpeza, secagem ou passadoria realizadas de forma inadequada", explicou Marinês.


Suave

 

O símbolo da bacia com água reúne todas as orientações relacionadas à limpeza. Quando há um número dentro da figura, ele indica a temperatura máxima da água. Se aparecer uma mão, a recomendação é realizar apenas a limpeza manual. Já a bacia riscada com um X significa que a peça não deve ser lavada com água. Um traço abaixo do símbolo indica que a limpeza deve ser feita em ciclo moderado da máquina, enquanto dois traços representam a necessidade de utilizar um ciclo muito suave ou delicado.

 

O triângulo reúne as orientações sobre o uso de alvejantes. Quando aparece vazio, permite a utilização de qualquer tipo de alvejante. Se houver duas linhas diagonais em seu interior, somente alvejantes sem cloro devem ser utilizados. Caso esteja riscado com X, nenhum tipo de alvejante deve ser empregado.

 

As orientações sobre secagem são representadas por um quadrado. Quando há um círculo dentro dele, a peça pode ser seca em tambor rotativo (secadora), sendo que a quantidade de pontos indica a temperatura máxima recomendada. Se o círculo estiver riscado, a secadora não deve ser utilizada. Já os traços desenhados dentro do quadrado indicam a forma correta de secagem natural, informando, por exemplo, se a peça deve secar na horizontal, pendurada no varal, por gotejamento ou à sombra.


"A limpeza profissional vai muito além da remoção da sujeira. Cada peça recebe um tratamento adequado à sua composição, estrutura e acabamento, reduzindo os riscos de encolhimento, deformação, desbotamento e desgaste precoce. É um cuidado que contribui para aumentar a vida útil das roupas e preservar o investimento feito pelo consumidor", concluiu.

Geral: Eca faz 36 anos e defensor público alerta para inclusão perfomática

Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

Segundo André Naves, o cumprimento do Estatuto não pode se limitar a indicadores; orçamento, acessibilidade e políticas públicas efetivas são essenciais para garantir a prioridade absoluta prevista na Constituição

Redação/Hourpress 


Neste 13 de julho, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 36 anos de vigência. Considerado um dos marcos jurídicos mais avançados do mundo na proteção integral da infância e da adolescência, o Estatuto consolidou no Brasil o princípio da prioridade absoluta. No entanto, mais de três décadas depois, transformar a letra da lei em realidade cotidiana continua sendo um dos maiores desafios do país, especialmente para crianças e adolescentes com deficiência, que ainda convivem com barreiras que revelam uma inclusão muitas vezes apenas formal.

 

Os dados oficiais mais recentes do IBGE, divulgados em maio de 2025 com base nos resultados preliminares da amostra do Censo Demográfico 2022, mostram que o Brasil possui 14,4 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a 7,3% da população com dois anos ou mais de idade. O levantamento também revela profundas desigualdades educacionais: entre as pessoas com deficiência de 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo é de 21,3%, quatro vezes superior à registrada entre a população sem deficiência (5,2%). Esses indicadores evidenciam que as barreiras sociais começam ainda na infância e na trajetória escolar.

 

O cenário de vulnerabilidade da infância brasileira agrava ainda mais esse quadro. Levantamentos recentes mostram que a violência contra crianças e adolescentes permanece em níveis elevados, com dezenas de milhares de notificações anuais de violência sexual registradas no país. Paralelamente, os canais oficiais de denúncia continuam recebendo um alto volume de comunicações relacionadas à violação de direitos desse público, evidenciando a necessidade de fortalecer políticas de prevenção, proteção e atendimento. Avanços legislativos, como a Lei Henry Borel e a ampliação da rede de atendimento psicossocial, representam importantes instrumentos de proteção, mas sua efetividade depende da destinação de recursos públicos e da implementação contínua das políticas previstas em lei.

 

Além da planilha


Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, a celebração dos 36 anos do ECA deve servir como um momento de reflexão sobre aquilo que ele define como "inclusão performática".

 

"Matricular uma criança com deficiência na escola regular apenas para cumprir uma meta ou preencher uma planilha de indicadores, sem garantir professor de apoio, tecnologia assistiva, acessibilidade e um ambiente verdadeiramente acolhedor, não é inclusão. É apenas o cumprimento formal de uma obrigação legal, sem assegurar o direito efetivo ao desenvolvimento pleno previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente."

 

Segundo Naves, o capacitismo estrutural e a ausência de prioridade orçamentária continuam comprometendo a efetividade das políticas públicas.

 

"Do ponto de vista da economia política, negligenciar a infância representa uma das decisões mais caras que um país pode tomar. Quando o Estado deixa de investir em acessibilidade pedagógica, atendimento especializado e proteção integral hoje, amplia desigualdades, reduz oportunidades e compromete a autonomia dessas crianças na vida adulta. A acessibilidade não é um benefício; é o direito que torna todos os demais direitos possíveis."

 

O defensor destaca ainda que estudos nacionais e internacionais demonstram que os investimentos realizados na primeira infância geram elevado retorno social e econômico, reduzindo despesas futuras com saúde, assistência social, violência e exclusão, além de ampliar produtividade, escolaridade e qualidade de vida.

 

Os desafios 


Além das demandas históricas, André Naves chama atenção para um desafio que ganhou enorme dimensão nas últimas décadas: a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Segundo ele, o crescimento das redes sociais, das plataformas de compartilhamento de conteúdo e dos crimes virtuais exige uma atualização permanente das estratégias de prevenção e garantia de direitos.

 

"O futuro do ECA dependerá da capacidade do país de atualizar suas salvaguardas para os desafios do ambiente digital e, ao mesmo tempo, garantir aquilo que nunca deixou de ser essencial: alimentação, moradia, educação acessível, proteção integral e afeto. Prioridade absoluta significa transformar orçamento em políticas públicas concretas, e não apenas produzir indicadores positivos", concluiu.

 

Geral: Bebidas virais: como o café se tornou protagonista nas redes sociais

    Divulgação


Radiografia da Notícia

* Apelo visual, sabor e cultura digital impulsionam novas estratégias de cardápio nas cafeterias


Redação/Hourpress

 

O café ganhou protagonismo nas redes sociais com bebidas pensadas para viralizar. A combinação entre estética, sabor e identificação cultural redefine o desenvolvimento de produtos no setor.  O café ampliou sua presença no ambiente digital e passou a ocupar espaço de destaque nas redes sociais, impulsionado por bebidas desenvolvidas com potencial de viralização. O fenômeno está ligado à criação de produtos que combinam apelo visual imediato, curiosidade de sabor e conexão com referências culturais já presentes no imaginário do consumidor.

 

Nesse cenário, a estética se tornou parte central da decisão de compra, especialmente no primeiro contato. Elementos como cor, textura e finalização influenciam diretamente o pedido, enquanto o sabor permanece como fator determinante para a fidelização. A dinâmica evidencia uma mudança no consumo, em que imagem e experiência caminham de forma integrada.  “Uma bebida se torna viral quando o consumidor quer experimentar, mas também quer mostrar que experimentou. Ela precisa ser visualmente marcante, despertar curiosidade e se conectar com algo que já faz parte da cultura”, destacaouElói Ferreira, cofundador da rede brasileira Go Coffee, que está presente em todos os estados brasileiros.

 

As redes sociais também passaram a influenciar diretamente o desenvolvimento de cardápios. “Enquanto algumas marcas reagem a tendências já consolidadas, outras estruturam seus lançamentos a partir do potencial de engajamento digital, considerando calendário, comportamento do público e narrativa da marca”, disse Elói, ressaltando que esse movimento reforça o papel da inovação e da sazonalidade na estratégia das cafeterias.

 

O impacto das bebidas virais vai além da visibilidade e se reflete diretamente nas vendas. Conteúdos gerados por consumidores funcionam como ferramenta orgânica de divulgação, com alto poder de influência. “Redes estruturadas conseguem capitalizar esses picos de interesse ao garantir consistência na entrega, disponibilidade do produto e experiência alinhada ao que foi visto nas redes”, explicou o empresário.

 

Apesar do potencial de alcance, a sustentabilidade dessas tendências depende da forma como são incorporadas ao portfólio. “Produtos criados apenas para acompanhar o hype tendem a ter ciclo curto, enquanto aqueles que combinam identidade, qualidade e coerência com a marca podem permanecer por mais tempo”, avalia Elói. “Nesse contexto, o café se aproxima de universos como coquetelaria e sobremesas, ampliando possibilidades sensoriais e consolidando seu papel como experiência contemporânea de consumo”, complementou.

Geral: Comissão aprova exigência de profissional de educação física em escolinhas de futebol

 Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

* Projeto de lei voltará para análise do Senado

Luís Alberto Alves/Hourpress/Agência Câmara

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou proposta que torna obrigatória a presença de um profissional de educação física em entidades formadoras de atletas e escolinhas de esportes.

Por recomendação da relatora, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), o colegiado aprovou o substitutivo da Comissão de Esporte para o Projeto de Lei 4614/19, do senador Romário (PL-RJ).

De acordo com Laura Carneiro, a modificação feita pela comissão da Câmara corrigiu uma falha jurídica do texto do Senado, uma vez que a lei alterada pela proposta original foi revogada.

A versão aprovada pela CCJ insere a nova regra na Lei Geral do Esporte, que reúne e atualiza várias normas desportivas.

A proposta tramitou em caráter conclusivo e poderá retornar para nova análise dos senadores, a menos que haja recurso para votação, antes, pelo Plenário da Câmara.