Astrogildo Magno
Carlito era o típico saudosista.
Esquecia do presente e voltava sempre ao passado. Repetia escalação de times
que entraram para a galeria das equipes inesquecíveis. Criticava os atletas
atuais. Para ele, todos eram mercenários. A preocupação deles consistia apenas
em aparecer nas redes sociais, com fotos de selfie. O talento, na opinião de
Carlitos, ficava em segundo plano.
Quando o assunto escorregava para
música, ele criticava a nova safra de artistas, sem voz e gravando canções de
letras horríveis. Para Carlitos, os sucessos atuais são fabricados nas redes
sociais para servir de isca aos inocentes de plantão. Na sua avaliação, as
cantoras de hoje utilizam o corpo para subir a escada do sucesso.
Nada do que acontece nos dias de
hoje, alegra Carlitos. Igual âncora de navio, o passado é quem o mantém neste
clima. Executivo do mercado de ações, sempre planejava retornar à cidade de
Tutoia, no Maranhão, onde pretendia rever amigos e o seu grande amor de
infância: Lúcia Lima. Loira de olhos azuis e corpo escultural. De tanto bater
nessa tecla, viajou para Tutoia. Ali, descobriu que a maioria dos amigos de infância
já tinham morrido, inclusive Lúcia, cuja lápide do túmulo dizia: “fui para o
futuro, porque o passado ficou para trás...”
Astrogildo Magno é cronista
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