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O glaucoma é causa principal da cegueira no Brasil |
Luís Alberto Alves
Doenças de vários tipos costumam
demonstrar sinais bem claros, assim que contaminam o organismo. Por isso, ainda
que sejam graves, podem ser tratadas antes de causar danos mais significativos.
Por outro lado, algumas enfermidades se desenvolvem de maneira tão sorrateira
que, quando finalmente manifestam algum sintoma aparente, já causaram estragos
irreversíveis. Um bom exemplo disso é o glaucoma. “Esta síndrome é a principal
causa de cegueira no país, justamente porque aparece de maneira súbita e se
desenvolve de maneira bastante silenciosa. Por isso, é muito importante que a
população fique atenta ao problema. Afinal, ele já atinge cerca de cerca de 2%
dos brasileiros acima dos 40 anos de idade e está entre as doenças oculares
mais frequentes n o país, com mais de 1 milhão de casos registrados”, diz a
oftalmologista Camila Ray responsável pelo Serviço de Oftalmologia do Hospital
do Coração (HCor).
Para conscientizar a população sobre o
perigo representado pelo Glaucoma no Dia da Saúde Ocular, nesta quinta-feira
(10), a Dra Camila apontou quais as causas e os sintomas da doença, além de
sugerir maneiras de como identificá-la em seu estágio inicial. “O glaucoma
acontece quando o nervo ótico sofre lesões em função de um aumento da pressão
intraocular”, explicou a médica. “Em geral, a doença costuma aparecer a partir
dos 40 anos. Mas pode ocorrer mais cedo, caso a pessoa sofra, por exe mplo,
algum dano capaz de provocar essa mesma elevação de pressão da parte de dentro
dos olhos”, afirma a oftalmologista do HCor lembrando que, de acordo com dados
da Organização Mundial de Saúde (OMS), existem aproximadamente 65 milhões de
glaucomatosos em todo o mundo, sendo que, a cada ano, surgem mais 2,4 milhões
novos portadores da doença.
Sintomas
No início, o
Glaucoma é assintomático. Por isso, muitas pessoas só conseguem notá-lo quando
o problema atinge o seu estado crítico. Neste estágio ocorre primeiramente a
perda da visão periférica. Em seguida, o campo visual começa a ficar estreito,
até assumir um formato tubular. “Depois disso, o paciente pode ficar cego, caso
não conte com nenhum tipo de tratamento”, alertou a Dra Camila. “Em casos de
glaucoma agudo, que já é outro tipo da doença, o paciente costuma sentir fortes
dores de cabeça, fotofobia, enjoo e dor ocular intensa”, acrescenta a
oftalmologista.
Diagnóstico
Dois sinais podem indicar a presença de
Glaucoma em uma pessoa: pressão intraocular acima da média e lesões
perceptíveis no nervo ótico. Para detectar esses dois sinais é preciso que
alguns exames sejam realizados, como Tonometria de Aplanação, para medição da
pressão intraocular; Fundo de Olho, para avaliar se existe lesão do nervo
óptico, provocado por um possível caso avançado de glaucoma; Gonioscopia, para
classificar o tipo de glaucoma que pode estar ocorrendo; e Campo Visual, para
avaliar se há perda do campo visual.
Já o diagnóstico precoce da doença só pode ser obtido por meio de exames
oftalmológicos de rotina.
Por isso, a Dra Camila recomenda que pessoas
já a partir dos 35 anos procurem um oftalmologista para fazer check-ups
regulares. “Diabéticos e pessoas negras com mais de 30 anos – cujo o organismo
é mais propenso ao desenvolvimento de pressão alta – também fazem parte deste
grupo de risco”, afirma a oftalmologista do HCor. “O histórico familiar também
é importante para o diagnóstico da doen&cc edil;a. Afinal, cerca de 6% das
pessoas com glaucoma têm ou já tiveram algum outro caso na família”, afirmou.
Tratamento
Em um primeiro
momento, o tratamento da doença é clínico e à base de colírios. Existem
medicamentos via oral que podem ser indicados em casos de emergência. Porém,
alguns tipos de glaucoma também podem estar associados a outros distúrbios,
como diabetes e hipertensão. Por isso, requerem tratamentos e exames mais
específicos. “Casos crônicos de glaucoma não têm cura e forçam o paciente a
fazer uso de colírios e medicamentos por toda a vida”, explica a Dra Camila.
“Portanto, vale a pena ficar atento e, caso a doença apareça, tratá-la antes
que cause danos maiores”, aconselhou a oftalmologista do HCor.