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sábado, 12 de setembro de 2026

Geral: O jeito de usar o celular pode afetar a saúde dos ombros

                            Arquivo/Hourpress


Radiografia da Notícia

* Estudos apontam relação entre postura durante o uso do smartphone e sobrecarga nos ombros; Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo orienta sobre cuidados para evitar desconfortos 

Redação/Hourpress

Passar horas no celular já virou parte da rotina, seja para trabalhar, estudar, conversar ou simplesmente passar o tempo. Mas a postura adotada para olhar a tela pode pesar nos ombros, como apontam alguns estudos.

 

Uma pesquisa publicada este ano, intitulada “A relação entre má postura ao usar dispositivos eletrônicos e dor periescapular no ombro”, avaliou 379 pessoas com o objetivo de investigar a dor na região ao redor da escápula, relacionada à postura durante o uso de dispositivos eletrônicos. O resultado mostrou que 48,5% relataram dor periescapular atual e apontou, ainda, que os participantes que permaneciam em pé ou caminhando enquanto usavam dispositivos eletrônicos com o pescoço inclinado para a frente apresentaram associação significativa com o incômodo na região. Essa postura teve 2,15 vezes mais chance de estar associada à dor.

 

Já revisão sistemática publicada em 2026, que analisou 30 estudos com adultos, identificou que, em 24 dos trabalhos avaliados, pessoas com maior tempo de uso, maior atividade de digitação ou maior nível de dependência do aparelho apresentaram maior prevalência de dores musculoesqueléticas, incluindo na região dos ombros. A revisão destaca, ainda, que 67% dos artigos analisados identificaram a duração do uso (de 3 a 9 horas diariamente) e a postura corporal durante o uso como os principais fatores de risco estudados.


Ombro

 

Entre os adolescentes, que também estão cada vez mais expostos ao uso prolongado de celulares, a relação aparece em outro estudo recente, o qual analisou 622 participantes, com idade mediana de 14 anos e apontou que 21,5% apresentavam dor no ombro.

 

“Quando passamos muito tempo olhando para o celular, principalmente com a cabeça inclinada para frente e os braços sem apoio, mantemos músculos e articulações em uma posição estática por muito tempo. Nos ombros, a sobrecarga pode se manifestar inicialmente como tensão, fadiga e dor na região próxima à escápula. Com a repetição desse padrão, a musculatura responsável pela estabilização e pelo movimento da escápula pode passar a trabalhar de maneira menos coordenada, interferindo na mecânica do ombro”, explicou o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC), Dr. Eduardo Malavolta.

 

O ortopedista lembra que o incômodo também merece atenção quando deixa de ser pontual. “Dor que persiste mesmo após interromper a atividade, piora progressivamente ou começa a limitar tarefas simples, como levantar o braço, alcançar objetos ou se vestir, pode indicar que o problema não está apenas relacionado à tensão momentânea. Nesses casos, a avaliação de um especialista é importante para identificar a origem da dor e evitar que ela se prolongue”, salientou.

 

Dicas

 

Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a reduzir a sobrecarga sobre a região. Evitar permanecer longos períodos na mesma posição, fazer pausas ao longo do dia e buscar manter o celular em uma altura que não exija uma inclinação constante da cabeça são algumas medidas simples. “Intercalar períodos de uso com pausas e movimentação é importante para evitar que a musculatura permaneça sob tensão durante horas”, disse.

“O celular faz parte da nossa rotina e não é preciso deixar de usá-lo. A questão está em incorporar alguns cuidados ao hábito, para que a tecnologia facilite o dia a dia sem cobrar um preço do corpo”, concluiu.

Geral: Quadrilhas encontram novas formas de driblar a segurança em condomínios

 IA


Radiografia da Notícia

* Em todos os casos, a portaria era eletrônica

Redação/Hourpress

Casos envolvendo invasões a condomínios para furtos têm trazido um alerta para a necessidade de reforço na segurança desses espaços, especialmente diante de estratégias cada vez mais sofisticadas utilizadas pelos criminosos. Brechas em processos, procedimentos e, principalmente, o fator humano, geram vulnerabilidade e abrem caminho para a ação de criminosos.

 

Recentemente, ganhou repercussão na mídia a atuação de uma quadrilha que identificou falhas na segurança e furtou apartamentos de luxo em oito estados. Em todos os casos, a portaria era eletrônica.

 

Diante da situação, a pergunta que fica é: a tecnologia falhou? “Na maioria dos casos, não. O que falha é a ausência de uma estrutura completa que una pessoas, processos e tecnologia em uma única engrenagem. Quando um desses pilares enfraquece, a segurança inteira fica comprometida”, ressaltou o diretor da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Bernardo Abdalla Criscuolo.


Camada

 

Para condomínios que sofrem com o alto custo da portaria presencial, a portaria virtual surge como uma alternativa eficiente. Ela oferece atendimento contínuo, controle de acesso rigoroso, cadastros seguros de moradores, visitantes e prestadores, além do registro de todas as demandas, desde entregas até deliveries, em um sistema único e auditável. Quando bem implementada, é uma evolução que supera em muito o modelo tradicional, tanto na operação quanto no resultado financeiro do condomínio.

 

“A camada tecnológica de uma portaria virtual precisa ser pensada como um sistema de defesa em anel, analisado do perímetro até as unidades. A segurança não pode ter vulnerabilidades, e cada ponto precisa estar coberto”, afirmou.

 

Bernardo explica que, no perímetro externo, câmeras com Inteligência Artificial são capazes de identificar veículos não cadastrados, pessoas perambulando pelo entorno ou permanecendo em áreas restritas por tempo prolongado, comportamento clássico de quem está estudando a rotina antes de agir.


Facial

 

Nas clausuras e acessos, entram sensores de presença, leitores de placas, controle de portas com travamento automático e reconhecimento facial. Na circulação interna, câmeras inteligentes se mantêm interligadas em tempo real à central de atendimento. E nas unidades, o morador conta com interfones digitais, QR Code para delivery e convite facial para visitantes previamente autorizados.

 

O diretor da AABIC completa que recursos como integração com Apple CarPlay, Android Auto e aplicativos cada vez mais intuitivos elevam a experiência do morador e facilitam o dia a dia. No entanto, ele pontua: a tecnologia é meio, nunca fim. “Ela entrega dados, registra eventos e ajuda a antecipar anomalias, mas quem decide e age são pessoas preparadas. Nenhuma tecnologia substitui uma equipe bem treinada. Uma central de portaria virtual exige liderança presente 24 horas, com capacidade de decisão rápida diante de eventos críticos. O atendimento precisa estar dentro do SLA (Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço) contratado, e o mercado entende como aceitável responder o morador em até três toques do interfone. Ultrapassar esse limite já é um sinal de alerta”, destacou.

 

O investimento em treinamento constante também é fundamental. “Ter uma equipe de qualidade responsável por capacitar, reciclar e trazer temas relevantes que impactam o setor condominial, principalmente os assuntos ligados à segurança, é o que separa uma operação amadora de uma operação profissional. O departamento de qualidade é o responsável por nivelar o time operacional para que todos falem a mesma língua e tenham a mesma visão de segurança. Quando o padrão é único, o risco de falha por improviso cai drasticamente”, finalizou.

Geral: Quais sinais de alerta para o Alzheimer?

 IA

Radiografia da Noticia

* Nem toda alteração cognitiva, porém, está relacionada ao Alzheimer

Redação/Hourpress

Esquecer algo de vez em quando ou precisar de um pouco mais de tempo para se lembrar de uma informação pode fazer parte do envelhecimento. O sinal de alerta surge quando essas mudanças se tornam frequentes ou intensas e começam a interferir na rotina e na autonomia. Durante o Setembro Lilás, mês de conscientização sobre a doença de Alzheimer e outras demências, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) reforça a importância de investigar alterações cognitivas persistentes.
 

“A maioria das funções cognitivas decai com a idade. No entanto, apesar disso, é possível manter a autonomia e a independência. É importante investigar quando a piora cognitiva é exuberante, exagerada ou quando essa perda cursa com dependência para realizar atividades às quais a pessoa estava acostumada”, explica Ivan Aprahamian, geriatra e psiquiatra, professor livre-docente e diretor científico da SBGG.
 

Nem toda alteração cognitiva, porém, está relacionada ao Alzheimer. Depressão, transtornos do sono, descompensação de doenças, efeitos de medicamentos, deficiências vitamínicas e até o uso abusivo de álcool podem afetar a cognição. Por isso, identificar o que mudou e investigar a causa é fundamental.


Vida
 

Na apresentação mais comum do Alzheimer, os primeiros sinais costumam estar relacionados à memória recente. “Frente a uma apresentação típica da doença, que perfaz 90% dos casos, vemos perda de memória verbal recente, ou seja, esquecimento de fatos ou eventos atuais. Em fases iniciais observamos confusões mentais com eventos, ocorrências recentes na vida daquela pessoa e desorientações espaciais e temporais”, esclareceu Ivan.
 

Com a evolução da doença, outras funções cognitivas também podem ser afetadas, incluindo linguagem, orientação, comportamento, planejamento e capacidade de tomar decisões. “Quando os esquecimentos se tornam mais frequentes e intensos em um intervalo curto de tempo, é importante olhar com cautela para a possibilidade de uma alteração patológica”, afirma Laiss Bertola, psicóloga, neuropsicóloga e 2ª vice-presidente de Gerontologia da SBGG-MG.
 

Diagnóstico precoce ajuda a planejar o cuidado
 

Identificar o Alzheimer nas fases iniciais permite organizar o cuidado e envolver a família nas decisões. “O diagnóstico precoce ainda é importante. Não pelo fato de termos alguns tratamentos sofisticados, caros e de longo prazo, mas por podermos nos planejar como família. A doença tem um impacto brutal em nossas vidas e exige muita resiliência de todos os envolvidos”, contextualiza Ivan.
 

O diagnóstico, porém, não significa interromper as atividades que fazem parte da vida da pessoa. Dentro das possibilidades de cada indivíduo, manter uma rotina ativa, com estímulos cognitivos e vínculos sociais, pode favorecer o bem-estar e a participação no cotidiano. “Já temos muitas evidências de que as intervenções não farmacológicas são importantes para manutenção de qualidade de vida, de autonomia e independência, sempre pelo maior tempo possível dentro da capacidade daquela pessoa”, destacou Laiss.
 

Cuidado vai além do diagnóstico
 

O acompanhamento da pessoa com Alzheimer deve considerar não apenas os aspectos clínicos da doença, mas também sua funcionalidade, rotina, relações e ambiente. A atuação conjunta de diferentes profissionais contribui para um cuidado mais amplo e individualizado. O geriatra atua no manejo amplo do quadro clínico e das condições de saúde, enquanto profissionais da Gerontologia contribuem para aspectos relacionados à funcionalidade, rotina, adaptação e qualidade de vida.
 

“O cuidado da pessoa com demência é multifatorial, exige múltiplos profissionais de diferentes áreas. Devemos ter um olhar que seja realmente mais biopsicossocial da pessoa com demência, no seu ambiente, no seu ecossistema e no seu sistema familiar”, pontuou Laiss.
 

Além do acompanhamento adequado, o controle de fatores de risco ao longo da vida também é importante para a saúde cerebral. Hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, perda auditiva e baixa atividade intelectual e social estão entre os fatores que merecem atenção. “Tratar esses fatores é fundamental. Sempre colocarmos nosso cérebro para trabalhar, ser desafiado com nossos aprendizados é um bom remédio”, reforçou Ivan.
 

Túnel do Tempo: Estreia de "O mágico de OZ"

 


Redação/Hourpress

Em 12 de setembro de 1939  estreia “O Mágico de Oz”, de Victor Fleming, um dos primeiros filmes a cores da história do cinema.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Crônica: Quando a folia detona o amor

Se manteve nesta rotina durante dez anos

Astrogildo Magno

Norminha era a jovem classificada como fogueteira. Casou-se com o caminhoneiro Roberto aos 16 anos e nesses dez anos de matrimônio nunca deixou de se comportar como mulher solteira. Gostava demais de frequentar rodas de pagode. Para provocar a sensualidade dos homens, se maquiava bem e vestia minissaia bem provocante.

Do outro lado estava o esposo Roberto, que normalmente dirigia 18 ou até 20 horas para entregar cargas em diversas regiões do Brasil. Às vezes permanecia longe de casa duas ou até três semanas. O sacrifício era para manter todas as contas em dia, inclusive o luxo de Norminha, que após o casamento nunca mais trabalhou. Sua preocupação era frequentar shoppings e retornar com as mãos cheias de sacolas para o apartamento onde morava no bairro do Cambuci, Centro de SP.

Se manteve nesta rotina durante dez anos. Em sua mente imaginava que Roberto jamais iria encontrar mulher tão linda e sensual igual a ela. Abusava da sedução ao enviar vídeos para o esposo através do Whats app, ao vestir camisolas transparente, mordendo os lábios e sussurrando em busca de prazer. De repente, estranhou que o marido não estava mais online, nem respondia os seus recados. Roberto descobriu e se apaixonou por outra mulher e decidiu que não retornaria mais para São Paulo.....

Astrogildo Magno é cronista

Geral: Olhos no celular, atenção fora do caminho: distração aumenta risco de quedas nas estações

                               IA


Radiografia da Notícia

* No primeiro semestre de 2026, as linhas 4-Amarela e 5-Lilás registraram 196 incidentes, como tropeções,

esbarrões e tombos, com clientes em estações; escadas fixas e rolantes concentraram 62% dos casos

Redação/Hourpress

A cena é cada vez mais comum: pessoas caminhando pelas estações, acessando escadas ou se aproximando das plataformas sem tirar os olhos do celular. Nos tempos atuais, atrair a atenção de alguém não tem sido mais tão difícil, mas o principal desafio é mantê-la. Há uma disputa feroz em praticamente todos os ambientes por alguns segundos de olhar. Em janeiro de 2023, a doutora em psicologia pela Universidade de Columbia, nos EUA, trouxe em seu livro “Attention Span: A Groundbreaking Way to Restore Balance, Happiness and Productivity” (em português - Período de Atenção: Uma maneira inovadora de restaurar o equilíbrio, a felicidade e a produtividade) um dado alarmante sobre atenção. O tempo em que ficamos focados em uma determinada ação, seja ela qual for, caiu de 2 minutos e meio, tempo registrado em 2004, para apenas 47 segundos nos dias atuais.

 

Em meio a um cenário em que o uso de telas acompanha praticamente todos os momentos da rotina e com um tempo de atenção cada vez menor, as linhas 4-Amarela e 5-Lilás, administradas pela Plataforma de Trilhos da Motiva, registraram 196 incidentes e acidentes com clientes só no primeiro semestre de 2026. São quedas acidentais e esbarrões que causam ferimentos tanto dentro dos trens quanto nas estações. Números que ajudam a reforçar um alerta sobre a importância da atenção durante os deslocamentos.

 

As maiores incidências estão nas escadas fixas e rolantes, que sozinhas, concentram 121 registros, o equivalente a 62% do total. Chama a atenção que os adultos em idade ativa concentram a maior parte dos registros. Dos 196 incidentes identificados no primeiro semestre, 104 envolveram clientes de 18 a 50 anos, ou 53% do total. Na Linha 4-Amarela, o recorte ainda é maior: das quedas acidentais em escadas fixas e rolantes envolvendo esse público, 31 ocorreram com clientes dessa faixa etária. Desse total, cerca de 71% envolveram pessoas entre 18 e 40 anos.


Acessos

 

Situações desse tipo causam sustos e podem resultar em ferimentos, exigir o atendimento das equipes nas estações e gerar risco para outros clientes que circulam pelo mesmo espaço. Em ambientes de grande movimentação, uma distração individual pode ser suficiente para provocar quedas, esbarrões ou comportamentos inseguros em áreas como escadas, plataformas, mezaninos e acessos.

 

“Queremos lembrar que a distração ou a pressa podem colocar em risco a segurança do próprio cliente e das demais pessoas que circulam pelas estações. Quando reforçamos a importância de tirar os olhos do celular ao caminhar, respeitar o fluxo nas plataformas ou esperar o desembarque antes de entrar no trem, não queremos ditar regras de comportamento. Nossa preocupação é, em primeiro lugar, com a segurança dos clientes e com uma operação cada vez mais segura e organizada”, comentou Antonio Marcio Barros Silva, diretor de operações das linhas 4-Amarela e 5-Lilás, da Motiva.


Hábitos em prol da segurança

Mudar esse cenário exige encarar hábitos que já se tornaram automáticos na rotina de quem tem pressa. Correr para pegar o trem, não aguardar os demais clientes desembarcarem antes de acessar o vagão ou ultrapassar a faixa de segurança nas plataformas são comportamentos que parecem comuns para muita gente, mas que podem colocar clientes em risco. Pequenas atitudes no espaço compartilhado fazem toda a diferença para evitar acidentes:

  • Atenção total ao andar: Tire os olhos do celular ao caminhar por plataformas, acessos e passarelas.
  • Respeito à faixa amarela: Mantenha-se sempre atrás da linha de segurança enquanto aguarda a chegada do trem.
  • Fluxo livre no desembarque: Aguarde os passageiros saírem completamente antes de iniciar o embarque. O tempo de abertura e fechamento de portas é suficiente para esse movimento, mesmo em horários de maior fluxo.
  • Cuidado redobrado nas escadas: Segure nos corrimãos e evite pressa ou brincadeiras nas escadas fixas e rolantes.
  • Embarque consciente: Nunca corra na plataforma para tentar pegar o trem e jamais segure as portas quando o sinal de fechamento for emitido.
  • Foco nos alertas: Fique atento à sinalização visual e aos avisos sonoros das estações e dos trens

Geral: Relatório aponta oito obstáculos para empresas escalarem projetos de IA



Radiografia da Noticia

 

* Estudo da Ecosistemas Global apresenta índice sobre a maturidade das empresas na adoção e gestão da tecnologia e recomenda ações para os próximos 90 dias

Análise inclui panorama regulatório de seis mercados, com prioridades específicas para o Brasil

 

Redação/Hourpress


Projetos sem responsável de negócio, dados fragmentados e processos mal desenhados estão entre os oito obstáculos que dificultam a transição da inteligência artificial (IA) dos projetos-piloto para operações em escala. O diagnóstico inclui ainda falta de integração, ausência de testes específicos, custos não acompanhados, questões regulatórias e contratuais tratadas tardiamente e desafios de capacitação e adoção interna, como baixo uso das soluções ou dependência de poucos especialistas. Os pontos fazem parte do novo relatório “IA bajo control: Tendencias en IA Generativa, Automatización Inteligente y Gobernanza 2026”, elaborado pela Ecosistemas Global.
 

O estudo mostra que, muitas vezes, as dificuldades para ampliar o uso da tecnologia não estão no próprio modelo de IA, mas nos processos, nos dados, na arquitetura, na definição de responsáveis ou na ausência de métricas. Dados pouco confiáveis, por exemplo, podem gerar respostas inconsistentes, enquanto a falta de integração faz com que a solução forneça informações, mas não consiga concluir uma tarefa.
 

“A IA gera valor quando deixa de ser um teste isolado e se transforma em uma capacidade operacional. Para chegar a esse ponto, não basta escolher um modelo: é preciso integrar dados e aplicações, testar comportamentos, definir responsáveis e medir resultados”, afirmou Rodrigo Cabot, Gerente de Desenvolvimento de Negócios, Alianças e Estratégia Tecnológica da Ecosistemas Global.


Nível
 

Para ajudar as organizações a identificar seu nível de maturidade na adoção e gestão da IA, o documento propõe um índice dividido em cinco níveis: exploração, experimentação controlada, integração, governança e escala mensurável. No primeiro estágio, predominam ferramentas isoladas, sem inventário ou políticas definidas. No nível mais avançado, a IA já está incorporada à operação contínua, acompanhada por métricas econômicas e processos sistemáticos de melhoria.
 

O relatório também recomenda cinco decisões para os próximos 90 dias. Entre elas estão mapear ferramentas, modelos, agentes e casos de uso; classificar as aplicações conforme impacto, autonomia, dados e risco; atribuir responsabilidades nas áreas de negócio, tecnologia, dados, segurança e conformidade; definir metas e critérios de escalamento antes da implementação; e estabelecer testes e monitoramento durante todo o ciclo de vida. Segundo a análise, essas medidas não dependem da conclusão de todos os marcos regulatórios e podem reduzir retrabalho e facilitar a adaptação a novas exigências.

 

Prioridades para o Brasil


No campo regulatório, o estudo apresenta um panorama de Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Estados Unidos e México. Apesar das diferenças entre os mercados, identifica princípios comuns, como responsabilidade, transparência, proteção de dados, segurança, rastreabilidade e supervisão humana. Para organizações com atuação internacional, a recomendação é estabelecer uma base comum de governança e acrescentar controles específicos de acordo com cada jurisdição, setor e nível de risco.
 

No Brasil, o relatório aponta a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), a atuação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e o debate legislativo em andamento como referências para a governança da IA. O documento destaca o desenvolvimento de orientações e ações de fiscalização, além de análises relacionadas à IA generativa, ao uso de dados pessoais e às decisões automatizadas. Entre as prioridades empresariais apontadas estão a definição da base legal, os dados utilizados no treinamento dos sistemas, mecanismos de revisão, rastreabilidade e gestão de terceiros.