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* Em todos os casos, a portaria era eletrônica
Redação/Hourpress
Casos envolvendo invasões a condomínios para furtos têm trazido um alerta para a necessidade de reforço na segurança desses espaços, especialmente diante de estratégias cada vez mais sofisticadas utilizadas pelos criminosos. Brechas em processos, procedimentos e, principalmente, o fator humano, geram vulnerabilidade e abrem caminho para a ação de criminosos.
Recentemente, ganhou repercussão na mídia a atuação de uma quadrilha que identificou falhas na segurança e furtou apartamentos de luxo em oito estados. Em todos os casos, a portaria era eletrônica.
Diante da situação, a pergunta que fica é: a tecnologia falhou? “Na maioria dos casos, não. O que falha é a ausência de uma estrutura completa que una pessoas, processos e tecnologia em uma única engrenagem. Quando um desses pilares enfraquece, a segurança inteira fica comprometida”, ressaltou o diretor da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC), Bernardo Abdalla Criscuolo.
Camada
Para condomínios que sofrem com o alto custo da portaria presencial, a portaria virtual surge como uma alternativa eficiente. Ela oferece atendimento contínuo, controle de acesso rigoroso, cadastros seguros de moradores, visitantes e prestadores, além do registro de todas as demandas, desde entregas até deliveries, em um sistema único e auditável. Quando bem implementada, é uma evolução que supera em muito o modelo tradicional, tanto na operação quanto no resultado financeiro do condomínio.
“A camada tecnológica de uma portaria virtual precisa ser pensada como um sistema de defesa em anel, analisado do perímetro até as unidades. A segurança não pode ter vulnerabilidades, e cada ponto precisa estar coberto”, afirmou.
Bernardo explica que, no perímetro externo, câmeras com Inteligência Artificial são capazes de identificar veículos não cadastrados, pessoas perambulando pelo entorno ou permanecendo em áreas restritas por tempo prolongado, comportamento clássico de quem está estudando a rotina antes de agir.
Facial
Nas clausuras e acessos, entram sensores de presença, leitores de placas, controle de portas com travamento automático e reconhecimento facial. Na circulação interna, câmeras inteligentes se mantêm interligadas em tempo real à central de atendimento. E nas unidades, o morador conta com interfones digitais, QR Code para delivery e convite facial para visitantes previamente autorizados.
O diretor da AABIC completa que recursos como integração com Apple CarPlay, Android Auto e aplicativos cada vez mais intuitivos elevam a experiência do morador e facilitam o dia a dia. No entanto, ele pontua: a tecnologia é meio, nunca fim. “Ela entrega dados, registra eventos e ajuda a antecipar anomalias, mas quem decide e age são pessoas preparadas. Nenhuma tecnologia substitui uma equipe bem treinada. Uma central de portaria virtual exige liderança presente 24 horas, com capacidade de decisão rápida diante de eventos críticos. O atendimento precisa estar dentro do SLA (Service Level Agreement, ou Acordo de Nível de Serviço) contratado, e o mercado entende como aceitável responder o morador em até três toques do interfone. Ultrapassar esse limite já é um sinal de alerta”, destacou.
O investimento em treinamento constante também é fundamental. “Ter uma equipe de qualidade responsável por capacitar, reciclar e trazer temas relevantes que impactam o setor condominial, principalmente os assuntos ligados à segurança, é o que separa uma operação amadora de uma operação profissional. O departamento de qualidade é o responsável por nivelar o time operacional para que todos falem a mesma língua e tenham a mesma visão de segurança. Quando o padrão é único, o risco de falha por improviso cai drasticamente”, finalizou.

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